21/02/2010

O Dono da Foto

Ela não durmiu. Continuava deitada envolta em seus pensamentos, ouvindo o cantar dos pássaros que pousavam em sua janela. Os primeiros raios de sol entravam por entre as frestas... Ela ligou o rádio, ouviu uma música que lembrava sua  adolescência e  o desligou em seguida.

Levantou, andou em direção à sua bolsa e olhou a foto dele. Seu coração bateu forte, suas mãos acariciavam aquela foto como se fosse uma jóia preciosa, de grande valor e delicada. Deu-se conta que aquela foto representava mais que uma jóia. Enquanto a olhava, a ternura invadia seu coração. Ela sorriu e voltou a deitar-se.

Levantou outra vez, rapidamente, com o mau-humor que lhe era peculiar. Desceu, tomou um café mas não falou com ninguém. Subiu, tentou estudar. Em vão. Sua mente estava tomada de pensamentos.

Tomou um banho e pegou suas roupas, antes olhou-se no espelho nua e lembrou da foto. Vestiu-se e saiu.

Encontrou o dono da foto! Naquele momento, uma onda de calor, melhor e mais quente que a do sol, tomou conta de seu corpo. Eles conversaram, mais uma vez ela teve a certeza de que seria dele. Voltou para casa.

Beijou sua mãe. Tentou estudar mais uma vez, leu alguns trechos do texto de inglês. Não conseguia...

Trouxe consigo na memória a conversa que tivera com o dono da foto. Pensou... pensou... pensou...

Já era hora do almoço. Tomou outro banho, mas ardia em desejo. Aquele banho não servira. Tirou a toalha que lhe cobria o corpo ardente, pensou nele como nunca antes, deitou e sentiu prazer... mergulhou fundo no olhar daquela foto e... prazer... sucumbio solitária a um desejo contido.

Seu corpo estremece, ela chamou por ele, sussurrou seu nome. Deu-se conta de que o queria de tal maneira que não saberia explicar. Aconteceu.

Levantou-se ofegante, vestiu-se e sorriu. Descobriu o prazer solitário, que geralmente os homens têm sem pudor.

Ela sentiu prazer, mas queria se sentir mulher, desejada, acariciada pelo dono da foto.

Desejou naquele momento ser tocada por suas mãos, tê-las descobrindo seu corpo, assim como ela conheceu o que há muito hesitou em fazer.

Quis falar-lhe. Pegou o telefone, mas logo desistiu. Sentiu um turbilhão de emoções dentro de seu peito; não saberia descrever o que estava sentindo. Medo, culpa, angustia, felicidade, êxtase... Alegria!

Só tinha certeza de uma coisa: nenhum desses sentimentos seria maior que o que ela carregava em seu coração pelo dono da foto.

3 comentários:

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